O Brasil tem se deparado com um movimento migratório singular, com considerável
aumento nos últimos anos de refugiados que procuram nosso país para recomeçarem
suas vidas. Sob o referencial teórico psicanalítico, o presente trabalho tem como
objetivo compreender o sofrimento psíquico do sujeito em condição de estrangeiro. Um
indivíduo que migra entra em contato com uma nova cultura e se depara com o novo, o
desconhecido. Isso pode significar experiências não elaboradas de luto e de desamparo
nas quais a não compreensão dos referentes simbólicos estrangeiros dificulta sua
adaptação e potencializa vulnerabilidades psíquicas e sociais já existentes. A
investigação contempla a percepção do participante sobre o seu sofrimento na condição
de estrangeiro. As informações obtidas pelos atendimentos clínicos e entrevistas
compõem a base empírica da pesquisa. Para as entrevistas utiliza-se um questionário de
quatro questões que possibilitam o levantamento das informações do sujeito e sua
experiência migratória bem como suas dificuldades. Sendo assim, o método utilizado na
pesquisa é o clínico, centralizado na subjetividade do participante. Foram realizadas 17
entrevistas e dois atendimentos clínicos individuais. Conclui-se que a experiência
migratória, como um momento em que o deslocamento favorece um não pertencimento,
pode revelar uma angústia de falta de sentido, com a perda dos referenciais
identificatórios o que pode vir a ser uma experiência traumática para alguns sujeitos.
Palavras-Chave: Migração; Refúgio; Psicanálise; Sofrimento psíquico; Angústia